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Hallux Valgus: Estado de arte do processo de (re)habilitação pós cirúrgico

O hallux valgus, sendo uma das patologias incapacitantes mais comuns do pé, com repercussão na qualidade de vida do utente, tem sido alvo de vários estudos referentes à melhor abordagem cirúrgica, assim como ao seu processo de recuperação.

A cirurgia percutânea ao hallux valgus surge assim, entre várias técnicas cirúrgicas, no sentido de reduzir as complicações pós-operatórias, o tempo da cirurgia e de promover a recuperação precoce, promovendo assim o alívio sintomático de forma a aumentar a capacidade funcional do paciente.

A fisioterapia apresenta um papel ativo neste processo de recuperação funcional do pé, potenciando os resultados da cirurgia, da forma mais célere possível. Apesar de terem sido desenvolvidos vários trabalhos de investigação de forma a desenvolver um protocolo consensual de reabilitação, os resultados variam consoante os critérios de estudo usados, seja em relação à população ou ao método de intervenção utilizado. O consenso surge nos resultados obtidos através da atuação da fisioterapia.

Se tivermos em conta que o primeiro raio é a zona que suporta grande parte da carga durante a marcha, é necessário que seja realizada uma boa transferência de peso para essa região, de forma a haver uma fase de impulsão eficaz, evitar compensações e alterações funcionais a níveis superiores.

Tendencialmente, o utente no pós-cirúrgico realiza a marcha de forma compensada pela proteção da dor ou receio de realizar carga na região intervencionada, fazendo com que o centro da pressão do pé passe a ser transferido lateralmente, alterando igualmente o local de passagem do centro de gravidade, condicionando o correto posicionamento do pé no solo.

Vários autores sugerem que, tendo em conta o resultado da distribuição da pressão plantar, a correção estrutural da pato-biomecânica de forma isolada não é suficiente para um resultado eficaz na restauração da função do pé, pois apesar da melhoria clínica ao nível de parâmetros radiológicos, a melhoria da função do primeiro raio e primeiro dedo não ocorrem.

A fisioterapia tem assim a sua intervenção no pré-operatório, com o ensino e preparação das estruturas anatómicas e no pós-operatório, através da diminuição do edema, do aumento das amplitudes de movimento, essencialmente na extensão do primeiro dedo, do aumento da força muscular e correção do padrão de marcha. Estes resultados são obtidos através de distintas técnicas de terapia manual, eletroterapia, mecanoterapia e outras que se considerem necessárias, após avaliação continuada.

A duração do processo de recuperação pode centrar-se entre as 4 e as 6 semanas, sendo que a frequência das sessões varia entre 1 a 3 vezes por semana, dependendo da avaliação do médico ortopedista responsável e da fisioterapia. Ao fim da primeira semana terá de existir uma diminuição significativa do edema para que seja possível dar continuidade ao processo de recuperação, com técnicas específicas, sem sintomatologia álgica.

O paciente deverá dar seguimento à recuperação funcional em casa, seguindo as indicações da fisioterapia, dadas em cada sessão, sempre vigiadas e corrigidas.

Seguindo as orientações do médico ortopedista, a fisioterapia apresenta um papel preponderante, tendo como objetivo o resultado máximo da cirurgia percutânea ao hallux valgus, participando e potenciando o sucesso dos resultados. Em prol do paciente.